Desembargador Dácio Vieira e sua esposa Ângela, a mulher de Agaciel (Sanzia), José Sarney, Agaciel Maia e (Quack!) Renan Calheiros: todos juntos no luxuoso casamento da filha de Agaciel.O Brasil já passou por alguns tristes períodos ditatoriais em que a censura era utilizada com o objetivo de calar opositores ao regime e manter o status quo do sistema tirânico vigente. Através da censura aos meios de comunicação, às entidades sindicais, às manifestações artísticas, aos profissionais de determinadas áreas e a outras instituições que legitimam a própria sociedade pública organizada, o Estado (lê-se Governo) alijava os cidadãos do necessário direito à liberdade. Foi assim em tempos de Getúlio Vargas e, anos mais tarde, durante o regime militar. A novidade é, em plena era democrática, vermos a censura se instalar novamente entre nós.
O Jornal o Estado de São Paulo, um dos mais tradicionais, importante e influente periódico diário do país, está sob censura explícita há vergonhosos 54 dias. A censura se estende tanto a versão impressa quanto à versão eletrônica (internet).
A censura sob o jornal teve início no fim do mês passado (Agosto), quando o desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), Dácio Vieira, proibiu o jornal O Estado de SP e o site do Estadão de veicularem notícias relacionadas à Operação Faktor, mais conhecida como Boi Barrica. Nesta operação, a Polícia Federal investiga, através de gravações telefônicas obtidas, potenciais ligações entre o “já-vai-tarde” Presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP) e as escandalosas contratações de parentes e afilhados por meio dos famigerados atos secretos.
Agora, a cereja desse bolo que cheira muito mal: quem apresentou o recurso judicial que deu início à censura ao Estadão foi Fernando Sarney. Adivinha de quem ele é filho?! Pois é, Fernando é filho de José, o Presidente do Senado. Outra bizarrice em toda essa história: o pedido de Fernando foi apresentado ao Desembargador na quinta-feira (30 de Agosto) e na sexta-feira (31), pela manhã, Dácio Vieira – que por um acaso também é “chegado” da família Sarney – a liminar já havia sido concedida. Engraçado percebermos essa agilidade num país em que a Justiça é conhecida por todos pela morosidade do próprio sistema.
Entre idas e vindas do caso, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal – de modo correto – declarou recentemente que o desembargador Dácio Vieira é suspeito para decidir sobre questão da censura ao Jornal O Estado de São Paulo e por isso foi afastado do caso. Apesar disso, a censura ao jornal continua e deverá ser analisada pelo novo relator, o desembargador Lecir Manoel da Luz.
O fato é que é absurdo que haja qualquer tipo de censura a um meio de comunicação que esteja cumprindo – como é o caso do jornal em questão – responsavelmente o seu papel, que é de informar com clareza e profundidade os desdobramentos da cena pública nacional.
Mais um grave erro do clã Sarney que – de modo indevido e impróprio – se apropria das instituições e dos recursos públicos para perpetuar seu reinado de terror político em todas as instâncias da democracia nacional.
E para fazer coro ao brado forte da uma nação, faço minha as palavras da grande maioria: FORA SARNEY!